Personas
Carl Jung foi um psicanalista humanista que primeiro buscou a individualização do homem diante da sociedade.
Hoje vivemos em uma sociedade em que o “ser” perde cada dia mais espaço para o “ter”, e a culpa disso são as funções sociais que destróem a individualização e forçam a padronização.
As pessoas acabam escondidas em suas máscaras sociais, seus direitos e bens e vivem a vida sem ter um assunto interessante para conversar à mesa, apenas novos produtos, fofocas, entretenimento etc… tendo uma consciência cauterizada e infantilizada para as coisas íntimas, pessoais e verdadeiras. Kierkegaard creditava buscar a subjetividade ser a felicidade eterna.
Viver superficialmente tem consequências, o indivíduo jamais amadurece e vive na farsa de estar crescendo, e cresce apenas para fora, enquanto o universo dentro de si permanece diminuto. Habermas era um crítico de uma sociedade que se comportava como atores, em seus relacionamentos e é aí que observamos como se esconder atrás de papéis, títulos, armas e mesas é comum, basta uma olhada em um dos maiores portais de relacionamento da internet: o Orkut.
Todavia não são desses papéis fantasiosos e de vida-dupla que citamos, mas os papéis de médico, político, advogado etc… são títulos dados às pessoas que sacrificaram parte do ego (através do superego) para se tornar parte de uma comunidade. Mas esse não é um sacrifício saudável.
A consciência é algo que cresce instrospectivamente, para então se tornar extroversão, o que se tem feito é colocado indivíduos com uma consciência em construção em papéis no qual indivíduos de consciência expandida descartariam.
Existe médicos para quem teme doenças e a morte, existem políticos para quem não aprendeu a se auto-governar, existem advogados para quem não sabe coexistir em paz e por aí se vai. As funções só existem pela falta de uma expansão de consciência coletiva, e colocar os que precisam daquilo que suas funções produzem artificialmente como agentes é trancar as portas para as luzes.
As funções não produzem consciência, elas produzem apenas repressão à pessoas tão imaturas quanto crianças e para isso necessitarão da entidade cuja violência é sua especialidade: O Estado.
O dinheiro pelo dinheiro é a fonte de todos os males do obscurantismo, quando alguém busca uma função apenas pelo valor financeiro que esta proporciona apenas está explorando uma fraqueza da consciência das outras pessoas e sendo inconscientemente explorado por sua função. Ao fim, todos os que buscam algum sucesso financeiro produzindo vãs impressões de “saúde”, “justiça”, “governo” terão seu fim pelas coisas perenes.
Quando alguém mostra as luzes da auto-suficiência, mostra o poder de ser o que se é pela graça de Deus, toda a pirâmide social oca construída sobre a água teme afundar.
